Há uns dez anos, eu imaginava o homem Neandertal como algo que parecia um símio enorme, um gorila musculoso e grosseiro. Mas numa pesquisa a titulo de curiosidade, percebi que estava errado. O homem de Neandertal, um primo nosso, os homo sapiens, vivia na Europa, e em sua muitos casos, tinham a pele clara e os cabelos ruivos. Muito se perguntava como uma raça inteira sucumbiu com o tempo e se tornando um elo perdido na evolução, deixando os homo-sapiens a única raça de seres humanos no planeta. Diziam que um Neandertal não podia se envolver com um homo sapiens, informação que anos depois se descobriu falsa. Com a análise de um genoma Neandertal em 2010, foi provado que eles começaram a se cruzar sim, e uma nova pesquisa indica que esse cruzamento foi fundamental para que os humanos se espalhassem pelo planeta – sendo que houve cruzamentos com outra raça de humano descoberto recentemente, os Denisovianos, com um fóssil encontrado recentemente na Sibéria.

A pesquisa liderada por Peter Parhan, da Universidade de Stanford, ele se focou no Antígeno Leucocitário Humano (ALH), uma família de aproximadamente 200 genes essenciais para nosso sistema imunológico. De acordo com Parhan, os homo-sapiens que viviam predominantemente na África, possuíam ALH adaptado as doenças da sua região, assim como Neandertais e Denisovianos possuíam a mesma capacidade em seus respectivos territórios. O detalhe é que os homo-sapiens começaram uma movimentação rumo ao norte em uma escala muito maior que outros humanos fizeram em direção ao sul, assim conseguiram copular com outras raças e adquirir esses genes para fortalecer a espécie. Para comprovar sua pesquisa, Peter Parhan explica que os ALH encontrados em africanos hoje em dia são diferentes, mais simples, do que aqueles encontrados em outras lugares, sendo que, a grosso modo, quanto mais longe da África, mais completo é o ALH.

Essa informação demonstra claramente como outras raças contribuíram para o desenvolvimento dos homo-sapiens como espécie em seu processo migratório por todo o globo. Talvez não sejamos uma espécie que conseguiu se adaptar ao tempo, mas sim o fruto de milhares de anos de um lento processo de evolução e adaptação de várias raças de seres humanos.

Com informações de NewScientist