Boeing 787, material composto, segurança, aviação

O primeiro vôo do novíssimo Boeing 787 não envolveu apenas festas, mas discussões sobre a fabricação de aviões que utilizam materiais compostos em grande parte da sua estrutura. Ao contrário do velho e conhecido metal – material extremamente conhecido – pouco se sabe sobre a longa duração de materiais compostos, e com a Airbus anunciando o projeto de um avião semelhante, começaram as discussões.

No dia 20 de Outubro, o Government Accountability Office do Governo Americano, algo como a nossa Controladoria da União, publicou um relatório onde, enquanto aceita as certificações do Boeing 787 para vôos, questiona a capacidade da agência reguladora de aviação em avaliar um veículo construído com materiais pouco conhecidos. Esses materiais compostos são como plástico, mistura de várias camadas de fibra de carbono e resinas. Por outro lado, se questionam se está OK a utilização de tais materiais na construção de peças inteiras, como asas e fuselagens, pois além das condições extremas que são colocadas, um avião não é construído para operar por menos de 30 anos. Ainda pesa o fato que, é possível analisar o envelhecimento do metal – aspectos como ferrugem, por exemplo. Nos compostos, esse processo é desconhecido, pelo que sabemos até então, ele simplesmente quebra.

A Boeing, em defesa da aeronave, declara que os materiais sofreram rigorosos testes, testes esses que estariam muito além do stress sofreriam em seu longo tempo de vida.

Apesar de ser considerado seguro, a Controladoria da União americana diz que novos estudos devem ser feitos. “O envelhecimento a longo prazo desses materiais é desconhecido. Sabemos muito sobre o metal, mas nada equivalente à esses materiais compostos”, explica Philip Irving, especialista em estruturas de aviação da Universidade de Cranfield, no Reino Unido.

Pesquisas já começaram a ser feitas pelo “Commercial Aircraft Composite Repair Committee”. Enquanto isso, a Boeing comemora o grande número de pedidos da sua nova aeronave, que por ser mais leve, consome 20% menos combustível que o normal.

Com informações, New Scientist.